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E quando não é?

Há tempos escuta-se por aí, no universo da maternidade ou no contexto educacional, frases sobre a importância do brincar, tais como, “brincar é a principal atividade das crianças”, “deixem as crianças brincarem”, “brincar é coisa séria”, entre outras afirmações.

Mas, na prática vejo cada vez menos coerência. 

Recebo crianças e famílias em meu consultório com diferentes queixas e demandas: 

– “A escola acha que meu filho precisa de um reforço”;

– “Ele já tem 6 anos e ainda não se alfabetizou”;

– “Está chorando muito”;

– “Não consegue cumprir regras”;

– “Não sabe lidar com limites e não gosta de ouvir NÃO”;

– “Desde que a irmã nasceu mudou muito o comportamento”;

– “Bate muito nos colegas e, às vezes,  bate até nos adultos”.

– Mostra-se irritado, dorme mal…”

Mas NENHUM deles me procurou para garantir ao filho um espaço para brincar, um tempo para ampliar o repertório de brincadeiras, para usar esta linguagem de maneira organizada e sistemática! 

Brincar é muito mais do que rodear a criança com brinquedos ou deixá-la envolvida por um tempo com materiais coloridos. Brincar é muito mais que deixar passar o tempo enquanto os adultos fazem suas tarefas, ou, adquirir dezenas de jogos que prometem ajudar na construção lógico-matemática ou até mesmo nas hipóteses de escrita e formação de palavras. 

Para brincar não basta deixar a criança imersa em uma montanha de opções.

Sim! Elas podem brincar independente dos adultos! E o fazem com maestria! Mas isso não é tudo!

É preciso aprender a brincar! Assim como qualquer outra linguagem, o Brincar também pede interação, troca, diálogos!

Portanto, assente-se com o bumbum no chão, aproxime-se das crianças, peça permissão para entrar na brincadeira. Faça cena de que não entendeu e deixe que ela explique ou mostre como se brinca, faça perguntas, ocupe o lugar de quem deseja aprender também. Lance um desafio, provoque a busca de maiores possibilidades, favoreça a infinidade de jeitos de brincar com um mesmo objeto, transforme ambientes com panos e caixas, relembre brincadeiras de sua infância ou do “tempo da vovó” e conte sobre elas, resgatando o valor cultural impregnado nas formas de brincar! 

“Mas como vou fazer isso??? Estou sem tempo e não sou boa nisso.”

 Comece com frases e atitudes mais ou menos assim ó:

– Hummm! Que legal! Posso ficar aqui pertinho assistindo sua brincadeira?

– Também posso experimentar?

– Como você consegue fazer isso?

– Olha o meu jeito! Será que consegue fazer igual?

– E se essa caixa virasse um avião? Podemos voar! Vamos viajar?

– Podemos fazer uma cabaninha com esse pano?! Vai ser o nosso esconderijo!

– Xiiiii… Não vale fazer barulho para ninguém descobrir a gente aqui! (Sussurrando)

– Eu posso ser o filho?

– Esse potinho vai ser a panela! Vamos lá fora buscar gravetos e grama para fazer de conta que é a comida?! 

– Já sei! Tive uma ideia: vamos virar bicho? Eu vou ser um sapo e vou pulando!

– Agora virei cobra e vou arrastar meu barrigão no chão!

Vale lembrar ainda que, adultos podem e devem dar modelo, propor brincadeiras, estimular o início delas… Mas sem perder de vista a importância do que os pequenos comunicam enquanto brincam. É preciso considerar os elementos que certamente as crianças trarão para cada uma dessas experiências! Portanto, escute-as e permitam que elas também interfiram na condução do brincar! 

Eu ficaria aqui por mais uns três dias listando possibilidades… Mas agora é sua vez! Já reservou uns minutinhos para brincar com os pequenos hoje?! Vai lá! Experimente! Garanto que as conquistas serão imensamente maiores que o tempo dedicado a esta experiência!

Se sentir vontade, me conte como estão sendo estes momentos!

Estarei aqui, na torcida, para que a BRINCADEIRA seja, de fato, a principal atividade da sua criança! 

Ana Rodrigues

@infancia_e_cia

Ana Paula

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